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México, de um povo guerreiro

Janeiro/2017

Avistei um banco no jardim, andei devagar e
me sentei no canto. Do lado oposto ao meu, estava uma jovem teclando no seu
celular. Ela sequer levantou a cabeça para ver quem estava dividindo o banco
com ela.

Ficamos assim por quase uma hora: ela no
mundo virtual, e eu no real observando as crianças de mãos dadas com seus pais,
jovens com roupas que mais pareciam estar num show de rock, idosos e adultos
descontraídos que iam e viam no Parque Chapultepec, no centro do México.


Parque Chapultepec – Visto do Museu de História Natural
Confesso que senti uma pontinha de inveja
dos mexicanos. Não havia sinais de medo ou pânico por causa da violência, dos assaltos,
das ameaças à mão armada. Há furtos sim, de objetos, em caso de descuido. E
sabemos que existe o crime organizado, a violência associada ao narcotráfico.
Mas, naquele dia havia certa normalidade que há muito tempo não vejo aqui na
cidade de Recife, Pernambuco, Brasil.

Eu estava só, porque marido e filha tinham
ido comprar os ingressos para assistirmos o Ballet Folklórico do México de Amalia
Hernandez, que encerrava a temporada naquele mesmo dia, nos jardins do Museu Nacional
de História, situado no outro extremo do Parque. O espetáculo terminou depois
das 21 horas, atravessamos o Parque andando junto com outras pessoas, paramos
numa panificadora do outro lado do Parque, comemos algumas guloseimas, pegamos
um táxi e fomos para o nosso apartamento. Era um domingo e a cidade dormia sem
ameaças de terremoto.

Dentro do Parque Chapultepec:




Quando chegamos ao México, dias antes, do
aeroporto tomamos um táxi até o nosso apartamento. Fazia calor. Pedi ao motorista que
ligasse o ar condicionado do carro. Ele respondeu que não tinha, porque ar
condicionado era opcional e a maioria dos táxis andava de janelas abertas, com
ventilação natural. Pasmem! Em todo percurso ninguém colocou em risco a nossa
segurança num engarrafamento, nem nos semáforos.


México, janeiro 2017


A cidade do México tem um sistema de transporte
precário, a desigualdade social é gritante, mas andamos a pé por ruas e praças,
pegamos trem e ônibus. 



E aqui vai minha solidariedade ao povo mexicano pelas
perdas de quase cem vidas até agora, causadas por um terremoto na última
quinta-feira. Um povo educado, simples, de comida picante, que gosta de cor e tem nas veias o sangue de várias tribos indígenas é, sem sombra de dúvidas, guerreiro por natureza e logo vai se reconstruir.




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