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Doar o nosso tempo é sublime


Já visitei muitos abrigos de idosos. Um, em
especial, as pessoas ficaram marcadas na minha memória: O Abrigo Cristo
Redentor. Uma vez por mês, levávamos sabonetes, desodorantes, pipocas, bolos e outros donativos para os idosos que estavam divididos em dois pavilhões: homens e mulheres.
As mulheres eram sempre receptivas ao
carinho e a prosa. Os homens eram desconfiados e monossilábicos. Mas uma coisa sempre chamou minha atenção: o fato de muitas mulheres terem bonecas,
sempre vestidas e nominadas. 
Para essas bonecas, todo o amor e carinho. 

Hoje, eu entendo o quanto aquelas bonecas representavam para aquelas senhoras. Porque todos nós temos um repositório enorme de amor que precisa ser extravasado e elas não tinham a quem doá-lo, simplesmente porque tinham sido esquecidas pelos seus familiares.
Anos depois, com o amadurecimento,
eu aprendi que aqueles donativos eram o que menos importavam nas visitas ao abrigo. Porque o que, realmente, era valioso foi o tempo em que todos nós destinamos a ouvi-los. E as histórias eram as mais
curiosas e tristes, quando havia nexos.
Conversando certa vez com meu afilhado, que
é veterinário, sobre a grande quantidade de lojas para animais, os pet shops – mercado que continua em expansão,
ele disse que o motivo era porque as pessoas estavam compensando a ausência-presente. “Muitas pessoas se apegam aos
animais porque estão emocionalmente solitárias. As pessoas estão próximas e
presentes; mas, paradoxalmente, estão distantes e ausentes já que ficam ocupadas com sua internet, whatsApp e outros interesses individualizados”, explicou.


Então, eu continuo aprendendo que o bem
mais precioso que podemos dar a outra pessoa e a nós mesmos se chama “tempo”. É
muito fácil doar, sobretudo no período que se aproxima o Natal, objetos, alimentos, roupas e tantas outras coisas –  que poderão um dia até nos fazer falta do que
doar o nosso tempo. Doar o nosso tempo é sublime.
Eu falo do tempo que dedicamos aos pais e
filhos, aos companheiros (as), a todas as relações familiares e afetivas, incluindo as amizades. Eu falo do tempo em que dedicamos tentamos praticar o bem, sem se
restringir apenas ao que existe de material.
O tempo em que destinamos a conversar, falar,
ouvir e até nos disponibilizamos a compreender, às vezes aceitar, e até perdoar.
Eu falo do tempo de nos permitirmos o ócio, o brincar e o sorrir.
Eu falo deste bem tão precioso chamado tempo
que regula a vida de todos  nós e a natureza, que também determina haver fins de
ciclos, início de mudanças e aberturas de novos caminhos, sempre.

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